Avaliando...
Mas quem? Por quê? Para quê?


Essa semana tive que montar o primeiro esboço da avaliação dos meus alunos. Achei interessante parar para avaliá-los com pouco tempo de sala de aula junto aos alunos. Porém, com a obrigação de escrever tal documento, me coloquei a analisar as atitudes dos alunos frente às atividades, pequenos avanços que já pude perceber, etc.

Fui percebendo que mesmo há pouco tempo, que a avaliação é realmente uma constante, e que o fato de avaliar esses alunos estava super presente na minha postagem anterior. Quando eu penso e repenso minha prática a partir das reações dos alunos para modificar planejamentos e adequá-los estou sim avaliando. Avaliando a mim mesma e aos alunos.

Conforme a autora Sousa (1993: 46) seria uma visão diagnóstica, pensando em estratégias e mudanças para interferir no processo educativo quando diz que “(...) desponta como finalidade principal da avaliação o fornecer sobre o processo pedagógico informações que permitam aos agentes escolares decidir sobre intervenções e redirecionamentos que se fizerem necessários em face do projeto educativo definido coletivamente e comprometido com a garantia de aprendizagem do aluno”.

A importância da avaliação escolar está muito mais em "o que posso fazer para que meu aluno consiga o que ainda não atingiu" que simplesmente para verificar o que este aluno não aprendeu e aprendeu. Uma avaliação como parte do processo e não apenas como encerramento de uma etapa.

Na educação infantil podemos perceber mais claramente o que isso significa. Darei um exemplo que ilustra muito bem a importância de olhar para esse aluno com individualidade e olhar atento. Trabalhando em uma turma de Maternal II, a grande maioria já controla esfíncteres e utiliza o banheiro sem problemas. Porém, desde o início do estágio, percebi uma dificuldade em um dos meninos na utilização do banheiro. Todas as tardes ele ia ao banheiro, e retornava pelado pela escola, pedindo mais papel. Por diversas vezes expliquei que isso nao era legal, que ele deveria se limpar no banheiro e retornar vestido... enfim, diaiamente. O menino chorava, dizia qe ainda estava sujo, colocava a mão, mostrava que estava... tudo isso no meio da sala. Um stress. Hoje depois dessa cena toda, o menino chorou muito. Sentei ele no meu colo e disse: "Tu tens que fazer assim, pegar dois papéis higiênicos, passar um por vez e depois colocar a roupa e esquecer. Vai estar limpo!" Ele foi brincar, e bem mais tarde, quando estávamos no pátio, ele me pediu novamente para fazer cocô. Disse para ele ir, já esperando todo o auê. Quando ele retornou, chegou na minha frente e disse: "Diris, eu passei os dois papéis e esqueci!". Nossa! Que alegria. O que é a coisa mais simples para outra criança, para ele era uma grande dificuldade e solucionar esse problema é uma grande vitória. Não sei se amanhã ele irá repetir a crise de andar nú, chorar e se limpar muitas vezes até acabar o papel, mas sei que hoje ele me escutou e tentou, e conseguiu! Se avaliarmos o todo, pela faixa etaria não daremos importância ao fato, mas se avaliarmos O MENINO, enxergaremos aí, uma grande construção!




2 comentários:

Catia Zílio disse...

Querida Iris!
Muito bem! Tua postagem está muito rica em evidências e argumentos sobre as tuas aprendizagens.
Concordo contigo que "Quando eu penso e repenso minha prática a partir das reações dos alunos para modificar planejamentos e adequá-los estou sim avaliando. Avaliando a mim mesma e aos alunos", mas quero te fazer uma provocação para seguir pensando:
Neste caso, a autoavaliação que fazes é de ti como professora, mas como é quando te avalias como aluna?
Seguimos conversando!
Abraços, Cátia

Iris Dias disse...

Como aluna não me avalio... sinceramente não sobra muito tempo...

Acabo priorizando o meu repensar enquanto profissional e deixo de lado a questão da estudante.

Talvez porque essa avaliação tem quem faça, mas se eu não me auto avaliar enquanto professora, ninguém o fará.

Mas certamente se tudo que a gente lê/vê/discute nas aulas interfere na minha vida profissional, modificando a minha prática, acredito que isso me torna uma boa estudante também... afinal, o meu objetivo como estudante do curso de Pedagogia é aprimorar e qualificar a minha prática docente!!!!

Bjs, Iris