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CRIANÇAS QUE CONTAM HISTÓRIAS

A menina tem seis anos e teve muita facilidade em contar a história, mesmo sabendo que estava sendo gravada. Bastante desinibida, provavelmente é uma menina bastante incentivada a se expressar.

Em sua narrativa, a menina trabalha muito com o real. Fala sobre a alimentação do gatinho e sobre a felicidade deste em encontrar o gatinho. Também mostra relação com a realidade quando o menino e o gatinho vão comprar uma casinha para o gatinho.

Achei engraçado que ela tenta por diversas vezes terminar a história, não tem muita noção cronológica na contação, foi lembrando e falando sem se preocupar com a seqüencia lógica. Também mas julgou importante formar “casais” antes de encerrar, trazendo uma das características do pensamento da criança: o sincretismo, associar elementos da realidade segundo critérios pessoais pautados, nesse caso, pela afetividade.

Trabalhando com Educação Infantil, percebo a importância de promover momentos de expressão oral com intervenções por parte dos educadores com a finalidade de incentivar a evolução dos alunos em suas construções.

Fala-se/escreve-se/lê-se sempre do mesmo jeito?
Que diferenciações podem ocorrer em relação à fala ou à escrita?


É notável que existem diversas linguagens coexistindo em nosso cotidiano. Não falamos em casa da mesma forma que na escola, na sala dos professores como em nossa sala de aula, em nossa roda de amigas como falamos com uma professora da faculdade. A forma como escrevemos também é difernete dependendo da ocasião.


Há também as palavras que sabemos que devem ser escritas de uma forma, mas que no momento da pronúncia, falamos de forma diferente (incorreta) por costume, sotaque ou outros diversos motivos. Um exemplo claro é a palavra leite, que costumamos falar “leiti” .
Percebemos diferença dependendo de “onde” o texto está escrito, pois há diferença entre um texto de revista, um texto de livro acadêmico e uma embalagem de produto de limpeza, por exemplo.


Vivemos essa “troca” de formatos a todo tempo em nosso dia, e como adultos cultos, sabemos sempre onde devemos falar de uma forma e outra e em que ocasiões podemos escrever de forma mais despojada e quando é necessário usarmos as regras rígidas de formatação de texto, gramática e concordância.

É preciso, porém, estarmos atentos a isso especialmente em crianças em processo de aquisição da linguagem, oral e escrita. Pois as crianças aprendem a falar a partir do que ouvem, e é importante que se forneça um vocabulário rico e diversificado para essa criança. Da mesma forma como, oferecer leituras diversificadas para alunos em processo de aquisição escrita para que estes possam compreender diversos portadores de texto, presentes em nosso cotidiano.

Não existe certo e errado, mas existe diferenciação na forma de falar/escrever de acordo com a situação e do local onde estamos falando, bem como o contexto cultural em que estivemos inseridos durante a aprendizagem da fala, leitura e escrita. Sendo assim, acredito que como não podemos comparar indivíduos e seu desenvolvimento, não é possível igualar a escrita e a fala de dois indivíduos criados em contextos culturais diferentes. As vivências que tivemos é determinante na forma como nos expressaremos.