De que lado você está???

Essa semana refleti muito sobre essa questão, especialmente após a OFICINA DE TRANÇAS que realizamos em nossa salinha na quinta-feira.
Trabalhando um projeto sobre a África, africanidades e valorização da cultura negra, consegui sentir na pele por um momento o que significa a palavra DISCRIMINAÇÃO.
Esta aula foi uma lOuCuRa, a nossa tutora resolveu me visitar no dia em que estava prevista a oficina de tranças... após a leitura da história Betina aos alunos (que estavam agitadíssimos em virtude das visitas) duas meninas da comunidade foram convidadas a fazerem tranças nas alunas do Maternal II. Foram convidadas por serem tias de uma aluna do jardim, negra, que aparece cada semana na escola com um penteado mais lindo que o outro. Quando a menina foi fazer no meu cabelo, ela disse a seguinte frase:
"Bah, teu cabelo não dá! É ruim!"
Quantas vezes não falamos ou pensamos isso? Eu, com meu cabelo lisinho, lindinho... ruim???Sim!!!! Para as trancinhas meu cabelo é ruim... escorrega, espeta, fica arrepiado, é oleoso... Depende do que se pretende com o cabelo para saber se ele é BOM ou RUIM...
Em uma palestra a Professora Adiles Lima, que participou da criação da lei 10.639 e hoje trabalha na Secretaria Municipal de Educação de Canoas lutando pela implementação da lei em nosso município, falou que o cabelo do negro não é ruim, é apropriado ao calor da África, ao sol da Africa. Ele é grosso para defender o couro cabeludo. Ele não é ruim. Ele é bom, especialmente para viver lá onde o negro vivia e foi retirado.
Nessa perspectiva, encerro a semana e inicio a próxima com essa reflexão... o ponto de onde estamos olhando faz toda a diferença na avaliação que fazemos das coisas. Meu cabelo é bom para fazer colinha, bom para deixar solto, bom para colocar touca... mas para fazer trancinha bom mesmo é o da Betina!!!!

"O sonho pelo qual brigo exige que eu invente em mim
a coragem de lutar ao lado da coragem de amar"
Paulo Freire
Quem tem medo de LOBO MAU???

Lidar com os nossos medos e anseios é tarefa pra lá de complicada... E muitas vezes as professoras tem que lidar com os medos dos pequeninos também!!!!

Durante essa semana um dos alunos do Maternal II fez xixi nas calças todas as tardes... de segunda a quinta o menino avisava que tinha feito xixi sem pedir pra ir no banheiro. Perguntei para a titular da turma se a mãe tinha avisado algo, já que nas semanas anteriores ele pedia e ia ao banheiro sem problemas. Nada!
Na sexta-feira tentei ser esperta (só tentei) e comecei a insistir para que ele fosse ao banheiro durante a tarde, evitando assim outro acidente! Mas ele negou, e quando eu insisti ele chorou. Chamei, peguei a mãe dele tentando acalmá-lo, peguei no colo e ainda sem saber o que causava tanta angústia, me ofereci para ir até o banheiro com ele. Ele aceitou. Chegando lá ele fez xixi e saiu correndo, chamei para lavar as mãos! Tcharam!!!! Na frente da pia, havia colado um cartaz de incentivo à lavagem das mãos com um monstro desenhado! Ele estava com medo!

Mostrei a ele que era uma mão pintada o monstro, e resolvi pintar a mãozinha dele para que ele percebesse que não havia motivo para sentir medo. FOI UMA FESTA!!!





Dessa aula, retiro aqui duas importantes colocações:
1. Como é importante estarmos atentos aos sinais que os nossos alunos dão quando algo não está legal. Demorei uma semana para perceber o que acontecia com esse menino... claro que estando em estágio, nervos à flor da pele a gente fica um pouco mais desatenta, mesmo assim preciso estar mais antenada. São traumas que custam a passar, e se de repente esse cartaz fosse retirado sem que tivéssemos feito essa brincadeira, ele não teria perdido o medo.
2. Nada como uma MUDANÇA DE PLANOS para deixar a aula ainda mais significativa. A turma adorou a brincadeira e ficaram encantados por "tirar fotos no banheiro". A flexibilidade é uma virtude importante ao professor.
O olhar atento do professor é tudo para o sucesso de uma aula!
Encantos da Educação Infantil!!!


Sempre defendi a idéia de que a Educação Infantil é um nível de ensino onde tudo é mais encantador, a aprendizagem ocorre de maneira mais significativa e cria-se vínculos afetivos importantíssimos para que tudo isso seja possível!

Sim! Continuo defendendo essa idéia!

Enquanto professora de educação infantil (sem os milhões de conteúdos mínimos, as divisões entre as disciplinas e períodos, provas, notas, etc) penso que conseguimos ter mais tempo para ver esse aluno, pensar sobre o que esse alunos precisa, perceber o quanto ele está aprendendo com os projetos estudados.

Nas nossas pequenas salas de educação infantil, percebemos práticas pedagógicas que preconizam as ideias de Paulo Freire de uma educação Libertadora, concepção em que os professores e alunos aprendem juntos, em que o professor mediador, auxilia a formar indivíduos mais autonomos.

Sim!!!! Nossos alunos são autônomos!

Eles sabem utilizar o banheiro quando precisam sem "passear" pelo pátio, servem água quando tem sede, escolhem seus brinquedos, guardam suas roupas na mochila... tudo sem pedir autorização! E dá tudo certo. Não é um caos.

Passamos anos trabalhando para isso... E ELES CONSEGUEM!!!

Mais um ENCANTO da Educação Infantil... a gente trabalha muito, para que eles não precisem de nós para tudo... não é encantador????



Avaliando...
Mas quem? Por quê? Para quê?


Essa semana tive que montar o primeiro esboço da avaliação dos meus alunos. Achei interessante parar para avaliá-los com pouco tempo de sala de aula junto aos alunos. Porém, com a obrigação de escrever tal documento, me coloquei a analisar as atitudes dos alunos frente às atividades, pequenos avanços que já pude perceber, etc.

Fui percebendo que mesmo há pouco tempo, que a avaliação é realmente uma constante, e que o fato de avaliar esses alunos estava super presente na minha postagem anterior. Quando eu penso e repenso minha prática a partir das reações dos alunos para modificar planejamentos e adequá-los estou sim avaliando. Avaliando a mim mesma e aos alunos.

Conforme a autora Sousa (1993: 46) seria uma visão diagnóstica, pensando em estratégias e mudanças para interferir no processo educativo quando diz que “(...) desponta como finalidade principal da avaliação o fornecer sobre o processo pedagógico informações que permitam aos agentes escolares decidir sobre intervenções e redirecionamentos que se fizerem necessários em face do projeto educativo definido coletivamente e comprometido com a garantia de aprendizagem do aluno”.

A importância da avaliação escolar está muito mais em "o que posso fazer para que meu aluno consiga o que ainda não atingiu" que simplesmente para verificar o que este aluno não aprendeu e aprendeu. Uma avaliação como parte do processo e não apenas como encerramento de uma etapa.

Na educação infantil podemos perceber mais claramente o que isso significa. Darei um exemplo que ilustra muito bem a importância de olhar para esse aluno com individualidade e olhar atento. Trabalhando em uma turma de Maternal II, a grande maioria já controla esfíncteres e utiliza o banheiro sem problemas. Porém, desde o início do estágio, percebi uma dificuldade em um dos meninos na utilização do banheiro. Todas as tardes ele ia ao banheiro, e retornava pelado pela escola, pedindo mais papel. Por diversas vezes expliquei que isso nao era legal, que ele deveria se limpar no banheiro e retornar vestido... enfim, diaiamente. O menino chorava, dizia qe ainda estava sujo, colocava a mão, mostrava que estava... tudo isso no meio da sala. Um stress. Hoje depois dessa cena toda, o menino chorou muito. Sentei ele no meu colo e disse: "Tu tens que fazer assim, pegar dois papéis higiênicos, passar um por vez e depois colocar a roupa e esquecer. Vai estar limpo!" Ele foi brincar, e bem mais tarde, quando estávamos no pátio, ele me pediu novamente para fazer cocô. Disse para ele ir, já esperando todo o auê. Quando ele retornou, chegou na minha frente e disse: "Diris, eu passei os dois papéis e esqueci!". Nossa! Que alegria. O que é a coisa mais simples para outra criança, para ele era uma grande dificuldade e solucionar esse problema é uma grande vitória. Não sei se amanhã ele irá repetir a crise de andar nú, chorar e se limpar muitas vezes até acabar o papel, mas sei que hoje ele me escutou e tentou, e conseguiu! Se avaliarmos o todo, pela faixa etaria não daremos importância ao fato, mas se avaliarmos O MENINO, enxergaremos aí, uma grande construção!




Aprendizagens da Semana...

A cada momento em sala de aula, estamos refletindo sobre nossa prática. A experiência e a maturidade, juntamente com essa reflexão faz com que possamos "reestruturar" nosso trabalho e nossas ações quando necessário.
A experiência do estágio tem me feito refletir constantemente, pois me colocou à prova. Os alunos com os quais estou fazendo o estágio estão com falta de professor desde fevereiro e com o "troca-troca" perderam o referencial. Tive que modificar, ao longo dessa semana, minha postura com eles diversas vezes. Modifiquei a ordem da rotina, pois verifiquei que inicialmente eles necessitavam atividades mais livres, para só então realizarem as atividades dirigidas. Tive que me mostrar mais firme com eles, pois percebi que exigem limites e como eu brincava muito eles achavam que podiam fazer de tudo.
Enfim, é um pensar e repensar... fazer e refazer... Aos poucos me vejo mais tranquila e atingindo mais os objetivos. Eles melhoraram bastante em relação às atividades, pois inicialmente não apresentavam interesse no que lhes era proposto, hoje perguntam "o que terá na rodinha amanhã?" demonstrando que estão mais envolvidos.
Um passo de cada vez, uma pequena vitória a cada dia!
Reflexões após a primeira semana de estágio!

A idéia de realizar esse estágio me deixou em pânico desde o primeiro momento. Trabalhando com sala de aula nove anos direto e fora de sala de aula há quase um ano, estou tendo que me desdobrar pra conseguir dar conta de tudo...

O primeiro desafio é criar o vínculo com a turma, enquanto professora. Eles ainda não me aceitam dessa forma e se mostram muito confusos, esperam todo o tempo a "profe" voltar. Agora estamos mais tranquilos, mas inicialmente foi complicado demais para que eu conseguisse estabelecer algumas combinações com eles.

Como entrei agora na sala, estou conhecendo eles melhor. É uma turma muito agitada e com sérios problemas de limites. Ainda há alunos que não controlam esfincteres, dois alunos com problema de fala e um com problema neurológico. Eles tem um tempo de concentração muito curto para a idade (4 anos).

A agitação da turma é um ótimo ingrediente para as atividades motoras e brincadeiras com músicas... eles adoram cantar! Ouvir histórias ainda é um desafio, por vezes é necessário interromper a contação até que eles parem. Se distraem muito facilmente.

Atividades plásticas também interessa bastante os pequenos, que possuem boa noção de manuseio de pincel, giz de cera, canetinhas.

São crianças carinhosas e muito prestativas.

Acredito que terei que modificar alguns itens em meu planejamento após essa sondagem.

Construindo a sua identidade...

Hoje iniciamos nossos trabalhos sobre diversidade e identidade. Inicialmente na leitura de imagens os alunos observaram diversas fotos de diferentes crianças.




Depois de conversar sobre as imagens que viram, desliguei a luz e as crianças dançaram explorando as possibilidades corporais a música de ninar: "Você é especial". Essa turma é bastante ativa, e por vezes foi necessário lembrar que era sem falar, que era só pra utilizar o resto do corpo dançando... Mas foi interessante vê-los se expressando livremente.

Após criaram seu "boneco de barro" como chamou uma das alunas. Construíram o seu corpo de argila. Amanhã pintaremos...





Foi muito rica essa produção, deu para perceber bem a maturidade deles através da escultura. Alguns fazem bonecos com corpo/membros/cabeça enquanto alguns fazem apenas uma bolinha para se representar. Mas todos, sem excessão, produziram seu trabalho e explorararm a argila passando no rosto, nos braços e até mesmo nos cabelos... foi uma lambança!