SEXTO SEMESTRE – LoUcUrA ToTaL


Para mim esse foi um dos momentos mais complicados... Por muito pouco não larguei tudo e desisti do curso. Tive grandes problemas pessoais que interferiram intensamente nos meus trabalhos. Atrasos, desmotivada para ler, meu desempenho caiu e me senti sem a menor vontade de ir adiante. Lembro muito da apresentação do Workshop quando fui “apedrejada” pela professora que ali estava a me avaliar, ao final do semestre, com mil perguntas e questionamento sobre o meu comprometimento.

O ponto forte desse semestre para mim foi a reflexão que fiz sobre a nossa fala e a nossa prática. Ouvimos sempre, em educação, que os alunos são indivíduos únicos e que devem ser avaliados de forma particular, que devemos levar em consideração o momento que esse aluno está passando, tentar compreende-lo... enfim... tudo aquilo que aprendemos que devemos fazer com nossos alunos não se aplica a nós enquanto alunos.

Claro que tive muito apoio da tutoras Rose, da professora Jaqueline que se mostraram super disponíveis para auxiliar a passar essa fase... até mesmo a coordenadora do curso Rosane me mandou um email bem carinhoso incentivando que eu não desistisse... mas aquele Workshop ficou marcado para mim, e me fez refletir sobre as situações em que os alunos são expostos em frente aos outros... o quanto é ruim se sentir ridicularizado em frente aos outros...

Mas, como diz a minha mãe NÃO HÁ MAL QUE NUNCA ACABE... e ele acabou... e com ele veio mais uma grande amizade no Pead: a Paty!

QUINTO SEMESTRE – o primeiro PA a gente nunca esquece


Nosso grupinho se fortaleceu! Passados dois anos e meio de faculdade, nosso grupo estava mais forte e unido! Realizamos o nosso primeiro PA juntas e isso foi um momento de grandes aprendizagens!!!

Nosso PA iniciou nosso tema de estágio e TCC. Na época pensamos no sistema de cotas, que em seguida (no sexto semestre) passou a pensar na aplicabilidade da Lei 10.639/2000 em nossas escolas.

Mapas Conceituais??? Nossa!!! Que trabalhão até que ficasse bom (será que ficou mesmo?). Mas a caminhada foi maravilhosa. Nesse semestre voltamos a marcar almoços, jantas, cafés da tarde.... para realizar os trabalhos e nos “ajudar” mutuamente.

Com esse trabalho pudemos repensar o papel do professor no processo de aprendizagem e outras formas de se chegar a um resultado, partindo do interesse do aluno. Foi bem complicado, acredito que somente no outro semestre que conseguimos realizar aquilo que os “profes” pretendiam que realizássemos... mas fez parte da caminhada!!!!

Em outras interdisciplinas analisamos nossa instituição de ensino, sua forma de gestão, sua PPP... Enfim, foi um semestre cheio de produções e reflexões importantes!
QUARTO SEMESTRE – pensando o todo em partes!

Aqui pudemos pensar cada uma das disciplinas trabalhadas nas séries iniciais, começando também a perceber a aplicabilidade da interdisciplinaridade em nossas salas de aula.

Além das atividades de sombras, realizei um projeto sobre as plantas com a minha turma de jardim. Foi um projeto bastante rico e os alunos mostraram-se muito empolgados com tudo que fomos descobrindo juntos ao longo do trabalho... foram feitas experiências comparativas entre plantas que recebiam/não recebiam luz... recebiam/não recebiam água e os alunos foram comprovando as necessidades das plantas enxergando a falta (plantas secas, plantas que não cresciam).

Por esse trabalho fui convidada a realizar um relato de experiência no curso de formação de educadores de nosso município, o que me deixou bastante orgulhosa pelo trabalho que estava desenvolvendo e, é claro, pelos estudos que estava realizando no curso.

Outro ponto chave do nosso semestre foram as aulas do Professor Samuel. No início quase enlouquecemos com as colocações carregadas de sotaque do nosso “professor fortão”... mas aos poucos fomos nos acostumando com os mil e um trabalhos exigidos por ele e desenvolvendo com os alunos, as coisas passaram a ter mais significado para mim. Ao final do semestre, pudemos colher muitos frutos das reflexões realizadas, além de terminar o semestre com diversas sugestões de atividades diferentes para o ensino dessa disciplina!!!

TERCEIRO TRIMESTRE: aprendendo... fazendo!!!!

Esse semestre foi o que a teoria e a prática andaram mais próximos até esse momento! Tivemos disciplinas que pudemos colocar em prática com nossos alunos e foi bastante interessante!

A interdisciplina de Música nos trouxe novamente momentos de explorar nossa própria capacidade de TENTAR, pois com o passar dos anos vamos acreditando não saber, não conseguir... e fomos desafiadas na quadra da Escola Gusmão a FAZER! Foi muito divertida a aula em que dançamos e realizamos outras atividades com ritmos...

Arte nos proporcionou um grande momento de estar na Bienal... eu nunca havia ido nem sozinha, após essa experiência pude perceber a importância e levar (com finalidade) meus alunos em uma exposição de arte. Momento também de fortalecimento do grupo de alunos, já que tínhamos poucos momentos de convivência!

Ludicidade trouxe toda uma reflexão sobre o brincar na escola e o quanto ele pode ser rico e produtivo... Além de ser um momento em que informalmente nossos alunos demonstram o que sentem e pensam acerca do mundo em que vivem, também é oportunidade de desafiá-los e fazer com que brincando, aprendam! Muito mais legal!!!!

A Literatura Infantil é muito presente na educação infantil, e a interdisciplina veio como forma de embasar aquilo que já realizamos e pensamos sobre a importância desses momentos de contato com a leitura.

E para finalizar, não poderia de lembrar da nossa atividade de Teatro nas nossas escolas e da nossa atividade de TEATRO MUDO nos pátios do novo pólo, em que nos divertimos muito das encenações alheias, e fomos motivo de inúmeras risadas também!

Foi um semestre mais tranquilo, onde pudemos vivenciar um pouquinho as atividades que propomos e perceber o que dá prazer aos nossos alunos, o que gera angústia... enfim... deu para reavaliar o que é válido nesse sentido!
SEGUNDO SEMESTRE: linha do tempo

Sem dúvida alguma, as atividades relacionadas à linha do tempo foram inesquecíveis nesse semestre. Mexeram com nossas memórias enquanto pessoas, alunas e professoras e contribuiu para um amadurecimento. A certeza de que somos seres em evolução e diretamente relacionados ao contexto social, demonstrou a importância desse memorial. Logo em seguida traçamos a linha do tempo da Educação Brasileira, que fez com que enxergássemos de onde partiu, até onde fomos e onde parou.

Na interdisciplina de Psicologia conseguimos refletir sobre as particularidades de cada etapa, enxergando melhor nosso aluno e as fases que ele necessariamente deverá passar, podendo compreender melhor suas dificuldades em determinadas situações.

Tivemos maior embasamento na questão da alfabetização, no meu caso, que tive um curso muito fraco de Magistério, me fazia muita falta essa parte da teoria, reconhecer os níveis de alfabetização e compreender melhor as etapas desse processo.

Nesse semestre foram estreitando-se os laços de amizade... fui conhecendo melhor minhas colegas de escola e agora colegas de faculdade. Nos encontrávamos para realizar as atividades juntas e cuidávamos para que todas postassem as atividades nos prazos. Foi de grande importância estarmos perto umas das outras para evitar que nos momentos de dificuldade alguém desistisse!



PRIMEIRO SEMESTRE: do sonho à realidade!!!


E quem nunca sonhou em entrar na Ufrgs??? Quando vi meu nome naquela lista como aprovada me lembrei na hora do meu pai que sonhou muito com esse momento!

A expectativa de estar na Ufrgs eram muitas, fazer à distância parecia ser fácil... enorme engano!

Eu que utilizava com facilidade o computador e todas as "bobagenzinhas" da internet, tive que redirecionar a minha habilidade de mexer no computador para algo produtivo... O uso da tecnologia para realizar esse curso tornou nossa graduação diferente de tudo que eu já tinha vivenciado no ensino superior.

O mais complicado foi conseguir adaptar-me aos novos ambientes: rooda, blog, pbwiki... era uma coisa em cada lugar!!!

Outra coisa que tive muita dificuldade em conseguir realizar foi organizar meu tempo para realizar as atividades propostas dentro dos prazos, pois quando não temos aquele controle firme do presencial, vamos deixando pra depois... depois... depois!

De positivo tivemos a evolução no uso das tecnologias, a adaptação rápida aos ambientes, mesmo deletando algumas postagens, postando em lugares diferentes dos corretos...

De negativo me recordo muito da disciplina de Escola Cultura e Sociedade quando quase enlouquecemos entrando em mil e um blogs de colegas para encontrar letrinhas e formar grupos... um horror!!!! Também tiveram os fóruns, que ao meu ver foram um desastre, pois pouco refletíamos sobre as falas dos outros... só incluíamos a nossa fala, descaracterizando o fórum...

Mas foi um momento importante... nesse semestre repensamos a educação e começamos a traçar novos pensamentos sobre a tecnologia ligada à educação. Hoje percebo que esse momento de reflexões foram importantes para dar "novo rumo" ao nosso pensar pedagógico, ao nosso agir em sala de aula... enfim, no primeiro semestre iniciamos engatinhando para essa grande construção que vem a ser nossa graduação!


A FORÇA DE UMA COMUNIDADE ESCOLAR!!!


Durante essa semana o assunto em nossa escola foi um só: Orçamento Participativo!

A nossa escola com 67 alunos e 23 funcionários concorreu a ampliação e reforma contra duas associações de bairro organizadíssimas e mobilizadíssimas e uma escola fundamental de 1.800 alunos. Há um mês foi feita a primeira assembléia de pais, onde cada um se comprometeu de levar à votação três amigos. Presença maciça na assembléia demonstrou interesse e possibilidade de concorrer com os "Gigantes da Mathias". O segundo passo foi passar nas escolas que possuem turmas de adultos à noite e conversar sala a sala sobre a importância de aumentarmos as vagas de Educação Infantil no bairro. Fomos à três escolas, duas vezes em cada, pra lembrá-los de ir votar. Pra finalizar colocamos duas faixas - uma em frente à nossa escola e outra em frente à escola de votação. Pronto! Não... Campanha pela Recanto do Filhote nas missas, nas casas e onde mais surgisse a oportunidade. No dia, ainda foi necessário defender a obra ao público.
"Sempre que falamos em problemas sociais no Brasil, defendemos a idéia de que a educação é a solução, mas dificilmente priorizamos a educação quando podemos optar. Esta é a oportunidade de vocês mostrarem que a educação é sim muito importante!"
Iris Dias
A maior plenária de toda a cidade com 915 inscritos (a média de participações é 500 pessoas). "A creche tá com 200... a creche fez 300..." Diziam os delegados de outras obras. Assustados com tamanha votação. A maior da cidade inteira. Por serem todas as obras de grande importância para a comunidade local (asfaltamento para ruas em péssimas condições, por exemplo) sentimos mais orgulho da nossa vitória.
325 votos para a RECANTO DO FILHOTE!!!
Mais de 80% dos pais presentes... mais de 90% dos funcionários votando (e cheios de amigos votando por nós também)... Superação da "escolinha".
Na reunião pedagógica as educadoras me disseram uma frase que me deixou muito feliz e que me fez realizar a postagem hoje sobre essa grande vitória em minha vida profissonal mas também na minha vida pessoal:
"Tu conseguiu juntar o pedagógico e a mobilização da comunidade no teu trabalho, aos poucos modificando o que tu julga errado mas sem nos atropelar, com respeito e mostrando os motivos. Por isso tu conseguiu unir nosso grupo em torno desse objetivo, porque todos querem te ajudar, ajudar a escola."
Ouvir isso me fez perceber que estou andando pelo caminho certo, e que esse grupo hoje me aceitou. Um grupo taxado de difícil, mas que eu descobri como um pessoal trabalhador e merecedor de elogios... mobilizado e merecedor de vitórias... Um grupo rico, mas que precisava de uma chance pra mostrar sua força. E mostrou!
“Se a educação não transformar a sociedade,
sem ela a sociedade tampouco muda.”
Paulo Freire
De que lado você está???

Essa semana refleti muito sobre essa questão, especialmente após a OFICINA DE TRANÇAS que realizamos em nossa salinha na quinta-feira.
Trabalhando um projeto sobre a África, africanidades e valorização da cultura negra, consegui sentir na pele por um momento o que significa a palavra DISCRIMINAÇÃO.
Esta aula foi uma lOuCuRa, a nossa tutora resolveu me visitar no dia em que estava prevista a oficina de tranças... após a leitura da história Betina aos alunos (que estavam agitadíssimos em virtude das visitas) duas meninas da comunidade foram convidadas a fazerem tranças nas alunas do Maternal II. Foram convidadas por serem tias de uma aluna do jardim, negra, que aparece cada semana na escola com um penteado mais lindo que o outro. Quando a menina foi fazer no meu cabelo, ela disse a seguinte frase:
"Bah, teu cabelo não dá! É ruim!"
Quantas vezes não falamos ou pensamos isso? Eu, com meu cabelo lisinho, lindinho... ruim???Sim!!!! Para as trancinhas meu cabelo é ruim... escorrega, espeta, fica arrepiado, é oleoso... Depende do que se pretende com o cabelo para saber se ele é BOM ou RUIM...
Em uma palestra a Professora Adiles Lima, que participou da criação da lei 10.639 e hoje trabalha na Secretaria Municipal de Educação de Canoas lutando pela implementação da lei em nosso município, falou que o cabelo do negro não é ruim, é apropriado ao calor da África, ao sol da Africa. Ele é grosso para defender o couro cabeludo. Ele não é ruim. Ele é bom, especialmente para viver lá onde o negro vivia e foi retirado.
Nessa perspectiva, encerro a semana e inicio a próxima com essa reflexão... o ponto de onde estamos olhando faz toda a diferença na avaliação que fazemos das coisas. Meu cabelo é bom para fazer colinha, bom para deixar solto, bom para colocar touca... mas para fazer trancinha bom mesmo é o da Betina!!!!

"O sonho pelo qual brigo exige que eu invente em mim
a coragem de lutar ao lado da coragem de amar"
Paulo Freire
Quem tem medo de LOBO MAU???

Lidar com os nossos medos e anseios é tarefa pra lá de complicada... E muitas vezes as professoras tem que lidar com os medos dos pequeninos também!!!!

Durante essa semana um dos alunos do Maternal II fez xixi nas calças todas as tardes... de segunda a quinta o menino avisava que tinha feito xixi sem pedir pra ir no banheiro. Perguntei para a titular da turma se a mãe tinha avisado algo, já que nas semanas anteriores ele pedia e ia ao banheiro sem problemas. Nada!
Na sexta-feira tentei ser esperta (só tentei) e comecei a insistir para que ele fosse ao banheiro durante a tarde, evitando assim outro acidente! Mas ele negou, e quando eu insisti ele chorou. Chamei, peguei a mãe dele tentando acalmá-lo, peguei no colo e ainda sem saber o que causava tanta angústia, me ofereci para ir até o banheiro com ele. Ele aceitou. Chegando lá ele fez xixi e saiu correndo, chamei para lavar as mãos! Tcharam!!!! Na frente da pia, havia colado um cartaz de incentivo à lavagem das mãos com um monstro desenhado! Ele estava com medo!

Mostrei a ele que era uma mão pintada o monstro, e resolvi pintar a mãozinha dele para que ele percebesse que não havia motivo para sentir medo. FOI UMA FESTA!!!





Dessa aula, retiro aqui duas importantes colocações:
1. Como é importante estarmos atentos aos sinais que os nossos alunos dão quando algo não está legal. Demorei uma semana para perceber o que acontecia com esse menino... claro que estando em estágio, nervos à flor da pele a gente fica um pouco mais desatenta, mesmo assim preciso estar mais antenada. São traumas que custam a passar, e se de repente esse cartaz fosse retirado sem que tivéssemos feito essa brincadeira, ele não teria perdido o medo.
2. Nada como uma MUDANÇA DE PLANOS para deixar a aula ainda mais significativa. A turma adorou a brincadeira e ficaram encantados por "tirar fotos no banheiro". A flexibilidade é uma virtude importante ao professor.
O olhar atento do professor é tudo para o sucesso de uma aula!
Encantos da Educação Infantil!!!


Sempre defendi a idéia de que a Educação Infantil é um nível de ensino onde tudo é mais encantador, a aprendizagem ocorre de maneira mais significativa e cria-se vínculos afetivos importantíssimos para que tudo isso seja possível!

Sim! Continuo defendendo essa idéia!

Enquanto professora de educação infantil (sem os milhões de conteúdos mínimos, as divisões entre as disciplinas e períodos, provas, notas, etc) penso que conseguimos ter mais tempo para ver esse aluno, pensar sobre o que esse alunos precisa, perceber o quanto ele está aprendendo com os projetos estudados.

Nas nossas pequenas salas de educação infantil, percebemos práticas pedagógicas que preconizam as ideias de Paulo Freire de uma educação Libertadora, concepção em que os professores e alunos aprendem juntos, em que o professor mediador, auxilia a formar indivíduos mais autonomos.

Sim!!!! Nossos alunos são autônomos!

Eles sabem utilizar o banheiro quando precisam sem "passear" pelo pátio, servem água quando tem sede, escolhem seus brinquedos, guardam suas roupas na mochila... tudo sem pedir autorização! E dá tudo certo. Não é um caos.

Passamos anos trabalhando para isso... E ELES CONSEGUEM!!!

Mais um ENCANTO da Educação Infantil... a gente trabalha muito, para que eles não precisem de nós para tudo... não é encantador????



Avaliando...
Mas quem? Por quê? Para quê?


Essa semana tive que montar o primeiro esboço da avaliação dos meus alunos. Achei interessante parar para avaliá-los com pouco tempo de sala de aula junto aos alunos. Porém, com a obrigação de escrever tal documento, me coloquei a analisar as atitudes dos alunos frente às atividades, pequenos avanços que já pude perceber, etc.

Fui percebendo que mesmo há pouco tempo, que a avaliação é realmente uma constante, e que o fato de avaliar esses alunos estava super presente na minha postagem anterior. Quando eu penso e repenso minha prática a partir das reações dos alunos para modificar planejamentos e adequá-los estou sim avaliando. Avaliando a mim mesma e aos alunos.

Conforme a autora Sousa (1993: 46) seria uma visão diagnóstica, pensando em estratégias e mudanças para interferir no processo educativo quando diz que “(...) desponta como finalidade principal da avaliação o fornecer sobre o processo pedagógico informações que permitam aos agentes escolares decidir sobre intervenções e redirecionamentos que se fizerem necessários em face do projeto educativo definido coletivamente e comprometido com a garantia de aprendizagem do aluno”.

A importância da avaliação escolar está muito mais em "o que posso fazer para que meu aluno consiga o que ainda não atingiu" que simplesmente para verificar o que este aluno não aprendeu e aprendeu. Uma avaliação como parte do processo e não apenas como encerramento de uma etapa.

Na educação infantil podemos perceber mais claramente o que isso significa. Darei um exemplo que ilustra muito bem a importância de olhar para esse aluno com individualidade e olhar atento. Trabalhando em uma turma de Maternal II, a grande maioria já controla esfíncteres e utiliza o banheiro sem problemas. Porém, desde o início do estágio, percebi uma dificuldade em um dos meninos na utilização do banheiro. Todas as tardes ele ia ao banheiro, e retornava pelado pela escola, pedindo mais papel. Por diversas vezes expliquei que isso nao era legal, que ele deveria se limpar no banheiro e retornar vestido... enfim, diaiamente. O menino chorava, dizia qe ainda estava sujo, colocava a mão, mostrava que estava... tudo isso no meio da sala. Um stress. Hoje depois dessa cena toda, o menino chorou muito. Sentei ele no meu colo e disse: "Tu tens que fazer assim, pegar dois papéis higiênicos, passar um por vez e depois colocar a roupa e esquecer. Vai estar limpo!" Ele foi brincar, e bem mais tarde, quando estávamos no pátio, ele me pediu novamente para fazer cocô. Disse para ele ir, já esperando todo o auê. Quando ele retornou, chegou na minha frente e disse: "Diris, eu passei os dois papéis e esqueci!". Nossa! Que alegria. O que é a coisa mais simples para outra criança, para ele era uma grande dificuldade e solucionar esse problema é uma grande vitória. Não sei se amanhã ele irá repetir a crise de andar nú, chorar e se limpar muitas vezes até acabar o papel, mas sei que hoje ele me escutou e tentou, e conseguiu! Se avaliarmos o todo, pela faixa etaria não daremos importância ao fato, mas se avaliarmos O MENINO, enxergaremos aí, uma grande construção!




Aprendizagens da Semana...

A cada momento em sala de aula, estamos refletindo sobre nossa prática. A experiência e a maturidade, juntamente com essa reflexão faz com que possamos "reestruturar" nosso trabalho e nossas ações quando necessário.
A experiência do estágio tem me feito refletir constantemente, pois me colocou à prova. Os alunos com os quais estou fazendo o estágio estão com falta de professor desde fevereiro e com o "troca-troca" perderam o referencial. Tive que modificar, ao longo dessa semana, minha postura com eles diversas vezes. Modifiquei a ordem da rotina, pois verifiquei que inicialmente eles necessitavam atividades mais livres, para só então realizarem as atividades dirigidas. Tive que me mostrar mais firme com eles, pois percebi que exigem limites e como eu brincava muito eles achavam que podiam fazer de tudo.
Enfim, é um pensar e repensar... fazer e refazer... Aos poucos me vejo mais tranquila e atingindo mais os objetivos. Eles melhoraram bastante em relação às atividades, pois inicialmente não apresentavam interesse no que lhes era proposto, hoje perguntam "o que terá na rodinha amanhã?" demonstrando que estão mais envolvidos.
Um passo de cada vez, uma pequena vitória a cada dia!
Reflexões após a primeira semana de estágio!

A idéia de realizar esse estágio me deixou em pânico desde o primeiro momento. Trabalhando com sala de aula nove anos direto e fora de sala de aula há quase um ano, estou tendo que me desdobrar pra conseguir dar conta de tudo...

O primeiro desafio é criar o vínculo com a turma, enquanto professora. Eles ainda não me aceitam dessa forma e se mostram muito confusos, esperam todo o tempo a "profe" voltar. Agora estamos mais tranquilos, mas inicialmente foi complicado demais para que eu conseguisse estabelecer algumas combinações com eles.

Como entrei agora na sala, estou conhecendo eles melhor. É uma turma muito agitada e com sérios problemas de limites. Ainda há alunos que não controlam esfincteres, dois alunos com problema de fala e um com problema neurológico. Eles tem um tempo de concentração muito curto para a idade (4 anos).

A agitação da turma é um ótimo ingrediente para as atividades motoras e brincadeiras com músicas... eles adoram cantar! Ouvir histórias ainda é um desafio, por vezes é necessário interromper a contação até que eles parem. Se distraem muito facilmente.

Atividades plásticas também interessa bastante os pequenos, que possuem boa noção de manuseio de pincel, giz de cera, canetinhas.

São crianças carinhosas e muito prestativas.

Acredito que terei que modificar alguns itens em meu planejamento após essa sondagem.

Construindo a sua identidade...

Hoje iniciamos nossos trabalhos sobre diversidade e identidade. Inicialmente na leitura de imagens os alunos observaram diversas fotos de diferentes crianças.




Depois de conversar sobre as imagens que viram, desliguei a luz e as crianças dançaram explorando as possibilidades corporais a música de ninar: "Você é especial". Essa turma é bastante ativa, e por vezes foi necessário lembrar que era sem falar, que era só pra utilizar o resto do corpo dançando... Mas foi interessante vê-los se expressando livremente.

Após criaram seu "boneco de barro" como chamou uma das alunas. Construíram o seu corpo de argila. Amanhã pintaremos...





Foi muito rica essa produção, deu para perceber bem a maturidade deles através da escultura. Alguns fazem bonecos com corpo/membros/cabeça enquanto alguns fazem apenas uma bolinha para se representar. Mas todos, sem excessão, produziram seu trabalho e explorararm a argila passando no rosto, nos braços e até mesmo nos cabelos... foi uma lambança!

Início do estágio...

Quase meio ano depois, aqui estou retomando minhas postagens...
Hoje foi o dia do início do estágio, e com ele muitas novidades para mim e a turma.
Acostumados a me ver pelos corredores, hoje eles se depararam com a diretora que virou professora (como se eu não fosse). Ficaram muito agitados, não sabiam nem como me chamar: me chamam de Dire, falei que meu nome era Iris (estamos trabalhando identidade) e acabei sendo chamada por eles de "Diris". Acho que será um pouco confuso para eles.
Tudo bem, para um primeiro dia, conseguimos conversar sobre alguns assuntos e, em meio a toda aquela agitação toda, realizar as atividades propostas. Ouviram a história com interesse em meio à gargalhadas.
Bem, foi muito bom poder estar de novo em uma sala de aula construindo decorações para a sala, organizando rotinas e fazendo combinações! Claro que as atribuções da direção continuam lá, e em alguns momentos se misturam às ansiedades do estágio trazendo um aperto no peito e uma sensação de que não vou dar conta... mas logo me tranquilizo e penso que se estou há dez anos trabalhando com crianças e por gostar muito do que faço, devo saber o que estou fazendo!
Semana mais corrida...


Durante a última semana estive um pouco afastada das minhas atividades do PEAD, em função da correria nas escolas onde trabalho... Mas essa semana estarei um pouco mais tranquila e pretendo colocar meus trabalhos em dia!!!


CRIANÇAS QUE CONTAM HISTÓRIAS

A menina tem seis anos e teve muita facilidade em contar a história, mesmo sabendo que estava sendo gravada. Bastante desinibida, provavelmente é uma menina bastante incentivada a se expressar.

Em sua narrativa, a menina trabalha muito com o real. Fala sobre a alimentação do gatinho e sobre a felicidade deste em encontrar o gatinho. Também mostra relação com a realidade quando o menino e o gatinho vão comprar uma casinha para o gatinho.

Achei engraçado que ela tenta por diversas vezes terminar a história, não tem muita noção cronológica na contação, foi lembrando e falando sem se preocupar com a seqüencia lógica. Também mas julgou importante formar “casais” antes de encerrar, trazendo uma das características do pensamento da criança: o sincretismo, associar elementos da realidade segundo critérios pessoais pautados, nesse caso, pela afetividade.

Trabalhando com Educação Infantil, percebo a importância de promover momentos de expressão oral com intervenções por parte dos educadores com a finalidade de incentivar a evolução dos alunos em suas construções.

Educação de Jovens e Adultos:
A EJA é uma categoria organizacional que tem como objetivo prevenir e diminuir os índices de repetência e evasão escolar. A educação de jovens e adultos representa uma promessa de efetivar um caminho de desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades.Fazer a reparação desta realidade, dívida inscrita em nossa história social e na vida de tantos indivíduos, é um imperativo e é um dos fins da EJA.


Funções da Educação de Jovens e Adultos:
1. Reparadora: devolver o direito que antes fora negado, incluir o jovem, adulto que não pode estudar no tempo que era pra ter sido. A EJA representa também uma divida com aqueles que tenham sido a força de trabalho empregada na constituição de riquezas e na elevação de obras públicas.


2. Equalizadora: igualdade de oportunidades. A eqüidade é a forma pela qual se distribuem os bens sociais de modo a garantir uma redistribuição e alocação em vista de mais igualdade, consideradas as situações específicas. Permanente/qualificadora: é o próprio sentido da EJA, tem o caráter incompleto, tal como é o humano. Ela é um apelo para a educação permanente e criação de uma sociedade educada para o universalismo, a solidariedade, a igualdade e a diversidade.

Trabalhando com EJA há aproximadamente um mês e tendo participado de um Conselho de Classe posso afirmar que nem sempre os objetivos dessa modalidade de ensino são atingidos. Muitos professores não conseguem enxergar que os alunos de EJA, na sua grande maioria, vêm de um histórico de fracasso escolar ou distância da escola. Alguns não levam em consideração que os alunos trabalham durante o dia e tem outras responsabilidades.
Em nossa escola, especialmente, temos uma turma de sexta série que será extinta no próximo ano. Sendo assim, aqueles que reprovarem, não terão vaga garantida para o próximo ano. Mesmo sabendo que nossa escola está inserida em um bairro de muita criminalidade e que os alunos que não estiverem na escola terão poucas chances de mudar sua história de vida, alguns colegas ainda são muito resistentes a contribuir para a aprendizagem e trabalhar e avaliar de forma diferenciada esses adolescentes.
COMUNICANDO-SE COM SURDOS

Na primeira unidade da Interdisciplina de Libras, após a leitura paramos para refletir sobre nossas experiências com surdos e de que forma acreditamos que poderíamos facilitar a comunicação entre ouvintes e surdos.
Citei minhas duas experiências de situações onde temos dificuldade de comunicação, uma mais efetivas com surdos que foi na faculdade que eu cursava onde tinha colegas surdas que tinham o auxílio de um intérprete, e da aluna da escola onde sou diretora atualmente que escuta mas não se comunica oralmente.

É impressionante, falando em surdos, o quanto a comunicação entre eles é mais dinâmica e como eles falam muito mais entre si que nós ouvintes. Também outro fato que me chamava atenção era a produção textual deles que é diferenciada.

Penso que na comunicação entre um ouvinte e um surdo é mais dificil para o ouvinte se fazer entender, pois o surdo traz em sua expressão facial facilitadores para que a gente compreenda o que ele quer dizer.

Por isso vejo como importantíssimo que, em algum momento, tenhamos contato com a Língua Brasileira de Sinais e outros detalhes sobre a comunicação de surdos, para que não sejamos nem preconceituosos nem tampouco indiferentes, transpondo barreiras ao invés de seguir acreditando na divisão dos indivíduos de acordo com suas características.



Trabalho em duplas...

A chuva me impediu de ir de moto até Novo Hamburgo e o pé engessado impediu que a Paty viesse de carro à Canoas! A dificuldade em realizar atividades sem conversar "ao vivo" trouxe a necessidade de, por longas horas, discutimos nosso trabalho em dupla pelo msn...
Mas os quadrinhos acima demonstram uma prática corriqueira em nossas escolas até os dias de hoje: repetição de práticas com a finalidade de atingir um objetivo, nesse caso o de aprender a ler!
O texto traz uma reflexão sobre o fato de nossas escolas sempre acompanharam as exigências do mercado de trabalho em seus currículos escolares, preparando indivíduos para processos de produção, utilizaram por muito tempo modelos como fordismo. Essa educação voltada às exigências do mercado preparando os alunos para operacionalizar e obedecer, não se preocupando com o lado crítico e reflexivo do sujeito.
Percebemos que atualmente a educação está sendo reestruturada, buscando modificações em sua estrutura e funcionamento, além de repensar seu currículo. Essa mudança contribui também para o atual mercado de trabalho que hoje busca indivíduos com perfil muito diferente daqueles formados nos antigos modelos, valorizando mais a dinamicidade e iniciativa de ação àqueles obedientes.